O trabalho realizado para a produção do projeto Polígono Móvel Flutuante começou com reuniões onde foi definida a data de execução do mesmo. O período escolhido inicialmente foi proposto de acordo com a necessidade dos participantes do projeto, respeitando as demandas profissionais de cada um. Porém, com a greve na FUNARTE tivemos que adiar a proposta inicial.
Isso acarretou nos primeros problemas que vieram a repercutir em todo o desenvolvimento do projeto. As passagens orçadas foram escolhidas em período de baixa temporada e por isso tinham valores menores. Os participantes tiveram ainda que se adequar a nova data, fazendo com que ao invés de uma data de ida e volta para todos, tivéssemos datas e horários variados. Isso desconfigurou todo o orçamento inicial, além do aumento considerável do valor das passagens, tivemos mais gastos com táxis, passagens de barco e diesel para os percursos adicionais Parinstins-Corocoró.
Por deslocar parte da verba para esse ítem, as demais linhas orçamentárias sofreram cortes drásticos. Como exemplo, a compra de óleo diesel que move o gerador, fonte de energia para a comunidade, teve que ser racionada. Isso impediu que o trabalho de edição de vídeo, instalação de software, projeção de filme, entre outros, decorressem da maneira programada.
Além disso, o dinheiro programado para a compra de material para as oficinas e parte das passagens teve que ser viabilizado através de empréstimo. Por ser a verba oferecida em duas parcelas, a pimeira foi insuficiente para cobrir o aumento ocasionado pelas passagens em alta temporada.
Ainda assim, toda a equipe se esforçou e foi capaz de ministrar as oficinas e atender as demandas imprevistas da comunidade.
A oficina de produção cultural, que estava sob minha responsabilidade foi inviabilizada pelo trabalho extra de produção para transições financeiras imprevistas. Através do telefone celular e da internet (que funcionava enquanto tinhamos o diesel) tivemos que coordenar entradas e saídas de empréstimos e pagamentos atrasados, inclusive da agência de viagens, para garantir a volta de todos os participantes.
No mais, o contato com a comunidade foi intenso e a troca de experiência incomensurável. A residencia artística em São Sebastião do Corocoró trouxe questões, desfez preconceitos e abriu um leque de novos pensamentos a respeito da arte, do convívio, do ser humano e do desejo.

Ana Bonjour - Produtora do Projeto -